Sabores da infância

As minhas lembranças de infância são de uma comida substanciosa, feita com ingredientes baratos e riquíssimos em sabores. Era a comida da terra da minha mãe, Polignano a Mare (é assim que se escreve), provincia de Bari, sul da Itália, do lado do Adriático, na região da Puglia. Hoje Polignano, e Bari, são lugares explorados pelo turismo, reconhecidos pela paisagem incomparável e pela culinária típica e saborosa.

Um dos pratos que minha mãe fazia eu repeti neste último fim de semana: macarrão com brócolis, facilimo de fazer, e que permite variações que vão da simplicidade absoluta até um prato mais condimentando por outros ingredientes.

A pasta tracional deste prato é o orecchiette, que no dialeto da minha mãe é riquitelle, ou riquetela, como ela falava. O nome se refere ao seu formato, como se fosse uma “orelhinha”, sua tradução para o português. Minha mãe fazia à mão, só com água e farinha. Eu já tentei, mas é muito difícil. No prato da foto eu usei massa seca, que você compra no supermercado.

A riquitela com brócolis, pra mim, é um dos maiores exemplos de que é possível fazer uma prato saboroso, e substancioso, sem gastar muito. Aí vai a receita:
Orecchiette com brócolis
Eu coloquei o brócolis e a pasta, juntos, em abundante água fervente salgada. Como o brócolis precisa de um pouco mais de tempo para cozinhar, ele foi para a caçarola 5 minutos antes da pasta. Quando a pasta estava al dente, coei, junto com o brócolis, tendo o cuidado de reservar um pouquinho da água do cozimento.
Agora começa a finalização, que pode ser feita de várias maneiras: para o prato da foto, refoguei dois dentes de alho em azeite extra virgem. Quando o alho começou a dourar, retirei-o da panela e joguei o macarrão e o brócolis, refogando tudo junto. Em seguida acrescentei parmesão ralado, um pouco da água do cozimento, misturei bem e pronto.
Essa é a maneira mais simples de fazer este prato. Mas você pode acrescentar anchovas, como minha mãe fazia quando tinha dinheiro para comprá-las, bacon em pedacinhos bem pequenos e, no lugar do parmesão, ricota defumada picante.
É rápido (não demora mais do que 20 minutos), delicioso e barato. O ideal é servir com um vinho branco da Sardenha, ou da Sicília. Ou, se você fizer com anchova, cerveja também cai muito bem.
Enfim, contrariando uma máxima que eu costumo usar na minha página do facebook, dá pra ser feliz sem ter que ir ao santa luzia. Principalmente se você estiver dividindo este prato com gente querida. Como fazia minha mãe.
Bom apetite!
23 de janeiro de 2012

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