Para Roma, com amor



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Roma me encantou desde a primeira vez, apesar da conturbada chegada, depois de 12 horas de trem, expresso, que peguei por engano em Cannes em vez do rápido, e que parou em todas as estações do percurso. Roma me fez ver que o que a gente lia nos livros de história sobre o Império Romano existia de fato, em cada esquina, em cada praça, ao ar livre, ou nos subterrâneos de um metro que nunca é concluído devido à quantidade de sítios históricos que suas escavações acabam revelando. Além do mais, Roma me fez ver minhas origens, e transformou o que seria um périplo por vários países num mergulho na terra dos meus ancestrais. Não fui a Roma tantas vezes quanto gostaria, mas, como joguei uma moedinha na Fontana di Trevi, sempre existe a esperança de voltar.

Mas, voltando ao começo da história, a chegada foi conturbada: domingo à noite, depois de acomodado na simpática Pensione Merano, em plena Via Veneto, sai em busca de alimento, morto de fome. Sabia da fama de Roma no domingo à noite: era, na época, difícil achar um restaurante aberto, ainda mais depois das 22 horas. Mas fui, cheio de esperança. Depois de vagar por várias travessas da Via Veneto, quando estava quase desistindo, cheguei a uma espécie de cantina, com o dono, mal humorado, na porta. Não me intimidei. Se havia enfrentando galhardamente o mau humor dos franceses, não seria um paisà que iria me assustar. Por via das dúvidas, implorei por um prato de comida. Ele, sem meias palavras, foi direto ao ponto: a cozinha já havia fechado e só havia espaguete com almôndegas. Quer, quer, não quer, não quer…

Claro que eu quis. Me deliciei como a dama e o vagabundo, no clássico canino de Walt Disney, com um maravilhoso prato de espaguete com almôndegas. Que reproduzo aqui. Para Roma, com amor…

Espaguete com almôndegas

 O sugo: fiz um molho bem básico, refogando cebola e alho bem picadinhos em azeite extra virgem, acrescentando algumas folhas de louro, um bom pedaço de panceta (ou bacon) em cubos e tomates pelados italianos, quatro latas para seis pessoas. Deixei apurar por cerca de uma horas e reservei.

As almôndegas: misturei meio quilo de carne moída, pode ser coxão mole, ou patinho, ou alcatra, com dois ovos, cebola picadinha, salsinha e cebolinha verde, pão amanhecido umedecido em água ou leite, escorrido e desmanchado, pimenta-do-reino e farinha de rosca, até dar liga. Depois fiz as bolinhas, passei na farinha de trigo e fritei em bastante óleo vegetal. Sequei no papel toalha e juntei ao sugo. Levei novamente ao fogo para esquentar e amalgamar os sabores. Claro que acertei o sal antes. Enquanto isso, cozinhei o espaguete em abundante água salgada. Quando estava al dente, juntei com o sugo e as almôndegas. Pronto. O resultado você pode ver na foto. Você só não pode ver a cara de felicidade das pessoas em volta do prato. Ainda mais depois de uma taça de chianti, o melhor acompanhante para esse prato…

Bom apetite!

2 de Fevereiro de 2014

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