O vinho e a alegria de viver



Viver é um privilégio.
E buscar a alegria de viver nos privilégios, grandes ou pequenos, que se encontram em nosso caminho é a melhor maneira de retribuir esse privilégio maior que é a vida. Já falei sobre isso no primeiro post deste blog, a “teoria do privilégio”, e de certa forma retomei o assunto no último post, “a vida não tem ensaio”. Correndo o risco de me repetir, e aceitando esse risco com humildade, gostaria de voltar ao assunto. Muitas vezes a gente tem vontade de desistir de certas coisas que a gente quer muito mas que teimam em não se realizar. Nada mais humano, não é mesmo? Mas desistir é parar de buscar. É aceitar o dado como inevitável. É se curvar diante de um hipotético “destino”. Eu acho que a gente não deve desistir nunca. Se aceitarmos que a natureza tem um projeto, e eu aceito, acho que é da própria natureza buscar a felicidade. Se abrimos mão de nossa participação nesse projeto, estamos abrindo mão da própria vida. Se você procurar na natureza, vai encontrar incontáveis exemplos do que estou dizendo, de luta pela sobrevivência. De afirmação da vida.
É exatamente o que acontece com as vitis vinifera, as videiras que fornecem as uvas para a produção do vinho. Quanto mais inóspito o solo, mais elas têm que lutar para sobreviver. E melhores uvas elas dão à luz para a produção dos melhores vinhos. Em certas regiões, elas têm que buscar os nutrientes para a sua sobrevivência a dezenas de metros nas entranhas do solo. E para quê? Para nos dar o prazer de prová-las transformadas numa bebida ancestral. Eu fico muito irritado quando “especialistas” tentam transformar o simples prazer de beber uma taça de vinho num ritual acessível a poucos iniciados. Não é nada disso. Você encontra hoje no mercado inúmeros exemplos de vinhos a preços acessíveis que você pode tomar com prazer, sem ter que entender as palavras mágicas que esses “especialistas” inventam para descrevê-los. Você pode saborear esse prazer muito bem acompanhado ou sozinho, hipótese que os “especialistas”rejeitam sei lá por que. Enfim, voltarei varias vezes a este assunto. Por enquanto, sugiro que, como as vitis vinifira, você não desista nunca daquilo que você quer.
E, quando conseguir, me chame para brindarmos com uma taça de vinho.
Saúde!
30 de novembro de 2011

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