O limão cravo, do aperitivo à sobremesa

 

Originário da Índia, também conhecido como limão-rosa, limão-cavalo (por servir de enxerto para outras espécies), limão-francês, limão-capeta, limão-china e limão-vinagre, o limão cravo é um exemplo de adaptabilidade às mais variadas condições climáticas e aos mais diversos tipos de solos. Encontrado em praticamente todo o território brasileiro, ele pode ser visto das montanhas aos pastos, do sertão à beira dos rios. Com casca de aparência grosseira, suscetível ao ataque de fungos e doenças, mantém a polpa de aparência atraente, alaranjada, com suco abundante, perfumado, saboroso, rico em vitamina C.
Para a minha felicidade, no meu sitio, em São Francisco Xavier, ele se reproduz de maneira abundante, o ano todo.

Vivo fazendo experiências com o limão cravo. Misturado com limão siciliano, lima da pérsia e algumas folhas de hortelã, dá uma maravilhosa e refrescante caipirinha. Eu faço com Absolut, mas fica ótima com cachaça também. Se for esse o caso, recomendo a Vale Verde, cuja suavidade não compromete o sabor das frutas.
Já como tempero, uso muito o limão cravo com peixes e frutos do mar. Aí na foto você está vendo um prato que eu preparei com um filé de abrótea, também conhecida como bacalhau fresco, por ser da mesma família do gadus morhua. Mas fica muito bom também com robalo ou pescada cambucu. Para acompanhar o peixe, eu fiz uma salada de folhas verdes e tomatinho cereja e arroz basmati com brócolis. Vamos à receita:
Temperei o filé de abrótea com limão cravo e flor do sal. Levei ao forno pré-aquecido por trinta minutos. Tirei do forno e coloquei algumas gotinhas de aceto balsamico.
Fiz o arroz basmati sem nenhum tempero, só com água e sal (duas medidas de água para cada medida de arroz). O arroz basmati já é perfumado e saboroso o suficiente e pode prescindir dos temperos. Cozinhei o brócolis na água com sal e, depois de cozido, piquei grosseiramente e misturei ao arroz.
Montei o prato como você vê na foto. É um prato saboroso, leve, fácil de fazer, e combina muito bem com um vinho branco leve. Eu servi com um pinot grigio, mas você pode servir com outra uva de sua preferência.
O limão cravo dá também uma maravilhosa compota doce. A receita é muito trabalhosa, tem que deixar a fruta em água corrente durante sete dias, e quem faz é a Lurdes, minha caseira, que tem mais paciência que eu. Prometo que vou pedir que ela me explique direitinho como faz e, num próximo post, eu conto pra vocês.
Por enquanto ficamos por aqui. Não sem antes tirarmos uma lição dessa história do limão cravo: as aparências enganam. E nem sempre o prazer precisa de sofisticação. Ele pode estar contido numa fruta que nasce em todo lugar, sem frescura, para nosso deleite.
Bom apetite!
2 de dezembro de 2011

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