O lagostim e o arroz proibido

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Como todos os artrópodes, o lagostim troca de carapaça várias vezes até ficar adulto. Não vamos confundir carapaça com carapuça, que é o que algumas pessoas vestem, em certas situações, revelando uma culpa muitas vezes insuspeitada. Essa troca de carapaças se chama ecdise, e é necessária pois a carapaça não cresce junto com o corpo do lagostim. Enquanto a nova carapaça não fica rígida o suficiente, o lagostim fica escondidinho, como medida de segurança. Espero que toda essa história não deixe você, meu amigo, minha amiga, com pena desse interessante personagem, pois o destino dele, pelo menos neste post, é ir diretamente para a panela…

Encontrado originalmente na costa da Noruega, hoje em dia o lagostim é pescado na costa do Atlântico e no Mediterrâneo. O produtor mais famoso é a Escócia, com suas águas geladas. Se você estiver por lá, no pais dos mais puros malte-whiskies, entre abril e novembro, não deixe de provar os lagostins frescos, que vão muito bem depois de algumas doses do precioso líquido que os escoceses fazem como ninguém.

E agora chegamos ao arroz negro, o maravilhoso par do lagostim neste post. O arroz negro é uma das variedades exóticas de arroz, com seus grãos curtos e levemente arredondados, sua textura macia e seu aroma que nos remete a castanhas assadas na brasa, hummmm, delícia.

Se é tão bom assim, por que o chamamos, já no titulo deste post, de arroz proibido? Esclareço: o arroz negro era cultivado há mais de 4 mil anos na China. E era considerado um infalível afrodisíaco. E só podia ser consumido pelo imperador. Espertinho esse imperador, não é mesmo? Se bem que os súditos davam um jeito de levar um punhado para casa, o que talvez justifique a alta densidade populacional da China…

Bem, se essa história do imperador chinês é verdadeira ou não, eu não sei. O que eu sei é que aproveitei a última sexta feira santa para preparar o prato da foto num almoço com pessoas queridas lá na nossa casa nas montanhas de São Francisco Xavier.

Afrodisíaco ou não, ficou uma delícia. Quando você for preparar, reúna os amigos e conte a história do imperador chinês. Garanto que, além da delícia do prato, haverá um certo frisson à mesa…

Lagostim com arroz negro

 Comprei o lagostim na feira, na banca de peixes da qual sou freguês assíduo e em cuja qualidade confio. Acho muito importante você comprá-los num lugar que você conheça bem, que garanta a procedência dos bichinhos.

Pedi para limpá-los completamente, deixando só o corpo. Embora lembre um camarão rosa, sua carne é bem branca, como a da lagosta. Temperei com flor do sal e limão siciliano, uma hora antes de ir para a frigideira.

Enquanto o lagostim ficava descansando, preparei o afrodisíaco, quer dizer, o arroz negro. Geralmente eu cozinho o arroz só na água com sal, pois seu sabor e aroma acentuados já são suficientes. Mas desta vez eu fiz um refogado de cebola e alho picadinhos (uma cebola e um dente de alho para 250 gramas de arroz) no azeite extra virgem, joguei o arroz e, depois de 2 minutos, coloquei três medidas de água.

Convém deixar um recipiente com água quente no fogo para, caso a água seque e o arroz ainda não esteja no ponto que você quer, ir acrescentando até chegar ao ponto. Aliás, o ponto ideal é levemente al dente. Deixe o arroz na panela tampada enquanto você prepara o lagostim, que é muito rápido.

Peguei uma frigideira grande, coloquei um fio de azeite extra virgem, deixei esquentar bem, e fui colocando os lagostins um a um. Vai espirrar óleo? Vai, sim. Por isso coloquei só um fio… Cinco minutos de cada lado são suficientes para o lagostim chegar ao ponto. De qualquer maneira, verifique a textura com um garfo: ele tem que estar firme, mas ceder um pouco à pressão.

Agora é só montar o prato como na foto. Se você quiser acompanhar com rúcula, fica ótimo. Um vinho branco de bom corpo vai muito bem pra acompanhar. Uma cerveja tipo ale, minha preferida, também.

 

Bom apetite!

1 de abril de 2013

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