O camarão rosa e o arroz negro

Agora que já nos conhecemos há algumas semanas, acho que está na hora de esclarecer algumas coisas.

Em primeiro lugar, cozinho por puro prazer. Adoro cozinhar para mim e para minha mulher, para os amigos, cuja companhia é sempre um privilégio. Não sou chef, não fiz nenhum curso de culinária, não tenho nenhuma técnica especial. Apenas leio tudo o que cai nas minhas mãos sobre  o assunto. Cozinho do jeito que eu aprendi, por curiosidade, por intuição, tentando aqui, errando ali, acertando acolá. Para mim tanto faz se o alho deve ir antes ou depois da cebola no refogado. A teoria pouco me importa. Por falar nisso, coloco os dois juntos, alho e cebola. E sempre dá certo.
Também não sou especialista em vinhos. Embora tenha feito o curso de formação profissional da Academia Brasileira de Sommeliers, estou longe de me considerar um profissional. Sou um curioso, um apreciador, um estudioso. Até hoje não consegui identificar nenhum cheiro animal, ou de carne defumada, ou de terra queimada, em nenhuma taça de vinho. Quando eu falo aqui de algum vinho, falo da minha experiência ao tomá-lo. Digo se gostei, se combinou com o prato que comi, se é mais encorpado ou mais leve, tudo de acordo com a experiência que eu vivi, com quem eu bebi, só ou acompanhado. Com certeza o mesmo vinho francês tomado em Paris e aqui em São Paulo vai sempre ser diferente.  Provavelmente em Paris ele será melhor. Não porque ele “viaja mal”. Mas por que o seu estado de espírito, em Paris, estava predisposto a achar tudo maravilhoso. E isso vale para qualquer situação. Um vinho pode ser bom, muito bom, ou ruim, dependendo do momento e da companhia. Ou da falta de. Aliás, essa história de que é feio, não é apropriado, tomar uma taça de vinho sozinho é outra balela inventada pelo marketing do vinho. Pode tomar, sim, se te dá prazer. Sem culpa.
Bom, mas chega de conversa e vamos ao que interessa. Vou pegar o gancho do alho e da cebola para contar pra vocês um prato que eu fiz ontem, em casa, para um jantar em família, em que o mais importante era estarmos juntos, e não ficar horas na frente do fogão. É um prato muito simples e saboroso: camarão rosa com arroz negro e salada de rúcula. Vamos à receita:
Cozinhei o arroz negro somente na água e sal. Como eu nunca acerto de cara o ponto do cozimento, e como ele demora pra cozinhar, eu começo colocando 3 partes de água para cada parte de arroz. Deixo uma vasilha no fogo com água quente e vou experimentando o ponto do arroz: se a água acabar e ele não estiver no ponto, acrescento mais água. Quando ele chega ao ponto, corrijo o sal, acrescento uma colher de manteiga e reservo na própria panela tampada.
Refogo uma cebola e 3 dentes de alho bem picadinhos no azeite extra virgem, numa frigideira bem larga,  de fundo bem grosso. Quando a cebola e o alho estão dourados, acrescento o camarão, que estava a não mais que uma hora descansando numa marinada de limão siciliano, vinho branco, sal e pimenta verde em grãos, seca, moída na hora. Coloco os camarões sobre o refogado bem quente (o ideal é que eles caibam todos na frigideira, sem ficar um em cima do outro). Deixo dourar por cerca de 3 a 4 minutos. Viro os camarões do outro lado. Deixo dourar pelo mesmo tempo. Tiro a frigideira do fogo, corrijo o sal, se necessário, e reservo.
Tempero a rúcula apenas com flor do sal e azeite extra virgem. E monto o prato como você vê na foto.
É muito fácil, leve, saboroso. Bom pra você experimentar neste fim de semana. E você pode servir com um vinho branco. Eu combinei com um chablis. Todo mundo gostou.
Bom apetite e bom fim de semana!
9 de dezembro de 2011

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