Costelinha de porco, razão e sensibilidade

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Cozinhar é um ato de sobrevivência. Está no nosso DNA. Para sobreviver num planeta inóspito, cheio de dinossauros e outros bichos, nossos ancestrais tinham que encontrar um jeito de matar a fome. Por isso se alimentar, e alimentar seus semelhantes, está na essência de nossa evolução.

Apesar da abertura dramática, este post não tem nada de dramático. Foi só pra chamar sua atenção. Na verdade o que eu queria dizer é que o gostoso mesmo é reunir amigos queridos em volta da churrasqueira, por exemplo, e passar a tarde de sábado comendo, tomando caipirinha de Absolut com lima da Pérsia, bebendo cerveja, vinho, conversando sobre tudo ou nada.

Só que você esqueceu de combinar com São Pedro e, de repente, o céu vem abaixo, num temporal quase bíblico. E sua churrasqueira fica ao ar livre. Não é tão dramático quanto os dinossauros e outros bichos enfrentados por nossos ancestrais, mas, o que fazer?

Foi isso o que aconteceu comigo, num belo sábado, lá em São Francisco Xavier. Eu havia comprado uma belíssima costela de porco desossada e pretendia fazê-la na churrasqueira, pincelada com um molho tipo barbecue, como fazem os americanos. Não havia pensado numa receita alternativa. Aliás, eu não tinha uma receita alternativa.

É aí que entra uma alta dose de razão e um pouquinho de sensibilidade, que está no nosso DNA, gentilmente desenvolvido por aqueles macacos peludos que enfrentavam intempéries muito mais sérias do que essa.

Primeiro, a razão: não dava pra insistir com o churrasco, ou esperar a chuva passar. Vamos todos pra dentro de casa.

Segundo, a sensibilidade: com uma peça tão bonita, era só levar ao forno, com o mesmo molho barbecue, e pronto. Certo?

Errado. Aqui entra um terceiro fator, que desafia a razão e exige um pouquinho mais de sensibilidade: por que não tentar, inventar, e testar, uma receita diferente? Foi o que eu fiz, com a cumplicidade dos queridos convivas, que nessa altura do campeonato queriam mesmo é ver a costela no forno.

Como a chuva começara cedo, e ainda havia algumas horas antes de a costela ir ao forno, coloquei-a numa forma com espaço para  vários temperos e deixei descansando algum tempo.

Temperei com alecrim, tomilho, orégano fresco, folhas de louro, dentes de alho inteiros, com casca, sal a gosto, pimenta verde em grãos moídos na hora. Reguei com limão siciliano e cerveja preta, tipo bock, mas serve também porter ou ale, esta mais adocicada.

Cobri com papel alumínio. Levei ao forno, a 220 graus, por duas horas. Depois disso, tirei o papel alumínio e deixei dourar por mais meia hora.

Retirei do forno, coei o caldo da forma, e reduzi esse caldo numa frigideira larga, ajudando com um pouco de maizena diluída no próprio caldo. Se você tiver fécula de batata, fica melhor ainda.

Depois foi só fatiar a costelinha e despejar o caldo reduzido por cima. Como ela já estava desossada, esse processo foi bem fácil. As pimentas biquinho da foto foram só pra enfeitar, mas teve gente que comeu junto com a costelinha… Arroz branco foi um excelente acompanhamento.

Servi com um vinho tinto encorpado, que pode ser um cabernet argentino ou chileno, ou um shiraz sul africano, que eu adoro.

Bom apetite!

9 de abril de 2013

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