Cenas do cotidiano

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Segundo o dicionário, filandras são “fios delgados e longos”, “flocos que esvoaçam pelo ar e cobrem os vegetais”.
“Filandras” é o titulo do livro de contos de Adélia Prado.
Contos? Denominação simplista para algo que transcende o gênero literário. Na verdade são 43 histórias que se cruzam, vão e voltam, qual “flocos que esvoaçam pelo ar”, com seus personagens entrelaçando as lembranças do cotidiano de um lugar qualquer, em qualquer lugar do mundo.
Como a própria Adélia diz, “eu só tenho o cotidiano e o meu sentimento dele. Não sei de alguém que tenha mais. O cotidiano em Divinópolis é igual ao de Hong Kong, só que vivido em português”.
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Maria Célia, Celina, tia Lita, Olinda, tio Melquíades, o primo Henriquinho. Muitos outros. Personagens fascinantes que vivem os conflitos do cotidiano com uma aparente simplicidade franciscana. O amor, a vida, a morte, a amizade, o medo, a esperança, tudo contado como se fosse uma conversa ao pé do fogão à lenha, em Divinópolis, terra onde Adélia nasceu em 1935 e vive até hoje. Um livro delicioso, para ser degustado, com calma, torcendo para que não acabe, como um doce da laranja capeta que aparece numa das histórias. História que me inspirou este post, com o livro de Adélia e a receita do doce de limão cravo, ou limão capeta, ou ainda laranja capeta, como é conhecido nas Minas Gerais, terra da genial Adélia Prado.

 Doce de limão cravo

 Ingredientes – 2 dúzias de limão cravo maduro, ½ kg de açúcar cristal e 10 cravos da Índia.

Como fazer – Rale levemente a casca dos limões, com cuidado para não ferir a fruta. Lave muito bem e parta ao meio, deixando o miolo na casca. Ferva em bastante água por 5 minutos. Em seguida, com cautela, retire o miolo e coloque a casca numa vasilha com água fria, até cobrir. Troque por cinco dias, para tirar o amargo. Depois disso, ferva as cascas até ficarem macias, escorra numa peneira e deixe esfriar. Faça uma calda rala e ferva tudo junto. Retire e deixe descansar. No outro dia, coloque os cravos e deixe ferver por mais 10 minutos.

Faça o doce, que, embora pareça trabalhoso, é muito fácil, e leia o livro. São duas coisas que reafirmam a essência deste blog:
não precisa ir longe para ser feliz! 

21 de Maio de 2013

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