A última ceia

O historiador norte-americano John Varriano, da Christian Brothers University, descobriu, analisando profundamente a famosa “Última Ceia”, de Da Vinci, que sobre a mesa da última ceia de Cristo com seus apóstolos não havia carne de cordeiro, como manda a tradição cristã, mas sim uma moréia adornada com laranjas.
Sim, um peixe. O que isso significa? Significa que o proselitismo vegetariano já se fazia presente em pleno Renascimento.
Independente da genialidade do trabalho de Da Vinci, ele, um vegetariano convicto e panfletário, alterou o que provavelmente deva ser a história em favor de sua causa. E vale lembrar que na época de Da Vinci, e ainda hoje no sul da Itália, a moréia era muito comum à mesa, principalmente em ocasiões festivas.
Mas é claro que um gênio como Da Vinci pode pintar um quadro definitivo sobre tão importante evento bíblico, mas não pode alterar o que, ao que tudo índica, foi servido naquela ceia que viria a se tornar a introdução da eucaristia na liturgia cristã.
Bom, mas tudo isso é história. O que eu queria dizer aqui é que um pernil de cordeiro, para quem, como eu, não é vegetariano, é uma boa opção, de inspiração bíblica, para a ceia da Páscoa que se aproxima. E esse aí da foto eu fiz assim:
Peguei um pernil de cordeiro de 2 quilos a 2 quilos e meio, coloquei numa forma de boa profundidade, e deixei-o, de um dia para o outro, numa marinada composta por:
Algumas folhas de louro
Ramos de alecrim
Ramos de orégano
Ramos de tomilho
12 alhos inteiros com casca
1 limão siciliano espremido
1 litro de vinho tinto de boa qualidade
Sal a gosto
Cobri a forma com papel alumínio e deixei na geladeira até o dia seguinte.
No dia seguinte, tirei o pernil da geladeira uma hora antes de ir para o forno para que ele ficasse à temperatura ambiente.
Antes de levá-lo ao forno, tirei o papel alumínio, virei-o de um lado para o outro, esfreguei bem com todos os temperos da marinada e recoloquei o papel alumínio.
Esquentei o forno ao máximo possível (uns 300o na maioria dos fornos). Ao atingir a temperatura máxima, coloquei a forma no forno coberta com papel alumínio e imediatamente baixei a temperatura do forno para 150o.
O pernil tomou o choque da alta temperatura e depois foi assando em baixa temperatura durante pelo menos 5 horas.
Depois de 5 horas, tirei a forma do forno, tirei o papel alumínio, peguei metade dos dentes de alho, que nessa altura estavam na consistência de purê, e esfreguei na superfície do pernil com muito cuidado, pois ele, o pernil, já estava se desmanchando.
Os outros dentes de alho deixei inteiros para quem quisesse se deliciar passando aquele purê no pão. Levei o pernil, agora sem papel alumínio, de volta ao forno, por no máximo meia hora, para tostar um pouco.
Pronto. Um pernil como esse dá para umas seis pessoas. Você pode servir com salada de folhas verdes e arroz basmati. Ou com o acompanhamento que você preferir.
E um bom vinho tinto, de médio corpo. Posso garantir que vai ser uma ceia maravilhosa, quase sagrada.
Bom apetite!
21 de março de 2012

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