A rotisserie e o frango de televisão

Adoro essas geringonças que são anunciadas em horários perdidos na televisão. Só de grill george foreman já tive uma meia dúzia. Sem falar da maquininha de fazer cachorro-quente, do picador de legumes, da máquina de pipoca, do forninho de pizza San Gennaro, minha maior decepção, pois não cabia pizza nenhuma dentro dele. De facas ghinzu, então, tenho uma coleção, fora as que eu dei de presente para amigos desavisados. Aliás, todos esse aparelhos já foram devidamente doados para quem se interessou.
O que não quer dizer que eu me curei dessa compulsão por coisas absolutamente inúteis. Outro dia, mais uma vez diante da televisão num desses horários que só a insônia ou a preguiça justificam, me deparei com algo que eu sempre sonhei: uma maquininha, ou melhor, como dizia o apresentador, uma rotisserie, capaz de fazer um frango de televisão igualzinho àqueles que a gente vê nas portas das padarias. E não era só isso, não. Ela fazia churrasco, espetinhos, pão, pizza, esquentava o arroz e fritava ovo!
Meu Deus, como eu tinha vivido todos esses anos sem aquela maravilha? Não tive dúvidas: liguei na hora para o número anúnciado e encomendei a minha. E ainda ganhei uma faca de churrasco tramontina!
Sempre, depois de saciado meu impulso, um breve arrependimento desponta. Mas eu o rechaço na hora. Quando a maquininha chegou, levei-a para o sítio, coloquei-a num lugar de honra, e esperei o momento de testá-la. O tempo foi passando, de vez em quando eu olhava pra ela, ela me olhava com carinha de quem está disponível, mas sempre havia uma desculpa, “não encontrei o frango inteiro”, e ela continuava lá, virgem da silva.
Tudo isso até ontem, dia 25 de dezembro, dia de Natal, dia de mostrar que somos seres humanos solidários, até mesmo com uma inocente maquininha, intitulada rotisserie, que aguardava a chance de se mostrar útil.
Eu e meu amigo Bob Figueiredo, grande cozinheiro, lemos o manual de instruções: nada muito complicado.
Bob passou flor do sal, azeite e pimenta-do-reino moída na hora, por fora, em todo o frango. Dentro do frango colocamos os temperos colhidos na hora em nossa horta: orégano, tomilho, salsinha e alecrim. Colocamos ainda pétalas de cebola, dentes de alho com casca e fatias de limão siciliano passadas na chapa para soltar mais sumo.
Feito isso o frango assumiu seu lugar no trono, dentro da rotisserie. Depois de uma hora e meia, olha lá na foto, que merecidamente abre este post, como ele ficou!
Servimos, depois de destrinchado, com arroz branco, escoltado por um Sassoalloro 2007, um supertoscano (afinal, era almoço de Natal…). A fatia de limão siciliano chapeada é só pra enfeitar. Ficou uma delícia!
Aí você me diz: tudo bom, tudo bem, mas eu não tenho essa encantadora rotisserie. O que é que eu faço? Olha, meu amigo, minha amiga, você pode fazer no forno convencional, e ir virando o frango a cada 15 minutos, regando com o caldo que vai se formando. Ou pedir uma rotisserie de presente. A minha eu comprei na Polishop (não estou ganhando nada com isso).
De qualquer maneira, além de um prato delicioso, aquela maquininha me lembrou que você não pode ir tirando conclusões sobre a importância ou não do que quer que seja sem antes conhecer de verdade.
E isso vale também pra gente de carne e osso, corpo e alma, cérebro e coração. Como nós.
26 de dezembro de 2011

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