A galinha caipira e os coríntios

Não meu amigo, minha amiga, o título deste post não tem nada a ver com o Corinthians, famoso time de futebol de São Paulo. Seus torcedores, que se auto-intitulam “um bando de loucos”, são chamados de corintianos. Os coríntios do título são os habitantes de Corinto, antiquíssima cidade grega situada na Coríntia, nas cercanias do Peloponeso, e que teria sido fundada por Corintos, filho de Zeus.

E o que tão mitológica cidade tem a ver com a nossa galinha caipira? Nada, a não ser o fato de que as primeiras referências a um bicho muito semelhante à galinha domesticada como a conhecemos aparecem nas famosas cerâmicas coríntias, por volta do século VII a.C. Se bem que ela, na sua forma selvagem, já podia ser vista na China desde 1.400 a.C.
Importante fonte de proteínas, a galinha é o animal doméstico mais difundido e abundante do planeta. Segundo a Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas, existem cerca de 19 bilhões de exemplares dessa simpática espécie espalhados pelo mundo. Ou seja, três galinhas para cada habitante.
Claro que nem todas são galinhas. Nesse número estão computados os “gallus gallus domesticus”, o que inclui galinhas, galos e seus filhos jovens, chamados de frangos, muito apreciados na forma de galetos.
Cada vez mais difíceis de encontrar nas grandes cidades, as galinhas caipiras são aquelas criadas soltas no terreiro, ciscando pra lá e pra cá, o que resulta numa carne de textura muito mais consistente e saborosa do que a galinha de granja. E é essa galinha, a caipira, a verdadeira protagonista deste post. Vamos à receita:
Galinha caipira de panela
Em primeiro lugar, é claro, você precisa de uma boa galinha caipira, daquelas bem sacudidas. Comprei uma de uns 4 quilos na feira aqui perto de casa. Pedi para destrinchar a galinha pelas juntas e cortar em pedaços médios, não muito pequenos pra não virar um frango a passarinho e destruir sua reputação. Deixei os pedaços, de um dia para o outro, numa marinada composta por:
1 gfa. de 600 ml de cerveja preta tipo bock, ou porter, ou dunkel
1 litro de caldo de carne
tomilho, orégano fresco, ciboulette, folhas de louro, alecrim, sálvia e dentes de alho inteiros, com a casca.
No dia seguinte, tirei os pedaços da galinha e reservei a marinada. Numa panela de ferro, refoguei uma cebola grande no azeite extra virgem e coloquei os pedaços de galinha. Quando estavam bem dourados, acrescentei a marinada, sem coar, ou seja, com todos os temperos. E dei tempo ao tempo. Levou mais ou menos 5 horas para a carne ficar macia, no ponto, sempre com a panela tampada. Por isso é bom deixar uma caneca com água quente para ir completando, caso seque demais antes de chegar ao ponto. Como eu já tinha colocado sal nos pedaços da galinha quando foram para a marinada, deixei para fazer o acerto no final.
Pronto. Servi com arroz branco e lentilha beluga, para dar sorte, às vésperas do final do ano, num almoço para cinco amigos queridos mais eu e a Mari. Para acompanhar, um vinho tinto de bom corpo, ou uma cerveja com bastante malte, como a que entrou na preparação do prato. Foi uma delícia. A galinha, a companhia e a conversa em volta da mesa.

Bom apetite!

7 de janeiro de 2013

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