007 e a bebida que veio do frio

Destilada a partir de cevada, milho, trigo, centeio, ervas, figo ou batata, a vodca é uma bebida absolutamente amigável, para usar um termo que está na moda: ela se dá bem misturada com quase tudo, inclusive com ela mesma (uma dose dupla, por exemplo). Quando adolescente, lá pelo final dos anos 60, uma das bebidas mais populares nas baladas da época era o Hi Fi, mistura de vodca com Crush, um refrigerante de laranja. Se você quiser experimentar, pode usar Fanta laranja, já que Crush não existe mais.
As discussões sobre onde ela nasceu, Russia ou Polônia, já provocaram brigas e rompimentos eternos, irreconciliáveis, principalmente depois de algumas doses da mesma, russa ou polonesa. A verdade é que hoje todo mundo faz vodca, até a França, que devia continuar no poire, assunto para um outro post. E uma das vodcas mais populares do mundo é a Absolut, sueca, minha preferida.
No cinema, a vodca acabou participando involuntariamente de um equívoco famoso: o “martini” de James Bond, que de martini não tem nem a azeitona, e a frase, mais famosa e equivocada ainda, “shaken, not stirred”, que podemos traduzir por batido, não mexido, exatamente o oposto do que requer o verdadeiro dry martini.
Aliás, nem os filmes do agente com licença para matar respeitaram a receita que Ian Fleming descreve no primeiro livro da série, que deu origem ao primeiro filme, “Casino Royale”: 3 medidas de gim Gordon’s, 1 medida de vodca, ½ medida de vermute Kina Lillet, bater bem e acrescentar uma fatia de limão. Nada de azeitona. Já provei, é bom, mas não é martini.
Voltemos à vodca, assunto deste post. Como disse lá em cima, ela vai bem com quase tudo, do suco de laranja ao suco de tomate, o maravilhoso bloody mary, que você faz completando a mistura com tabasco, molho inglês, suco de limão e um talo de salsão. Sozinha, supergelada, tirada do freezer na hora de servir, ela é um perigo, pois desce acariciando nossa garganta voluptuosamente, até aquecer nossa alma. Mas, por favor, mantenha-a íntegra, quase congelada, pura, sem pedras de gelo ou casquinha de limão.
Aqui no Brasil, a vodca passou a substituir a cachaça na nossa bebida nacional, a caipirinha, e virou caipiroska. Acho um desperdício, de vodca e de limão, galego ou tahiti. Acho que limão mistura bem com cachaça, embora fique muito bom também com vodca.

De todas as misturas possíveis com a genial invenção dos russos, ou dos poloneses, acho que no Brasil a vodca encontrou seu parceiro ideal: a lima da pérsia. Deliciosa, refrescante, encantadora, a mistura de vodca com lima da pérsia combina com praia e montanha, com sol ou com chuva, com frutos do mar ou com feijoada, sempre elegante, sedutora, senhora de si, sabendo dos olhares, e dos paladares, que vai conquistando com total segurança.
Para encerrar, uma das minhas versões prediletas de viver com gosto:
Gente querida, na praia ou na montanha, sol, se possível, bom papo, boa música, tempo de sobra e uma caipirinha de lima da pérsia com vodca Absolut, sem açúcar.
Saúde!
11 de janeiro de 2012

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